Elas são cores
Sobre a exposição
Narcisa Amboni, natural de Nova Veneza, se mostra como sujeito e objeto dessa composição heterogênea de faces. Tanto a artista quanto as modelos que ela referencia são livres, mas também servem ao retrato. Mulheres dedicadas a essa arte vivem sob o paradoxo da liberdade artística e da escravidão à referência do real. Buscando a fotografia como método, a artista libertou a modelo da pose, mas capturou o traço de liberdade que a reprodução técnica ainda carrega. O que ela captura, a modelo nunca viu. Está na invenção da própria essência do retrato pela arte, ainda tão fresca e secreta que deve causar estranhamento. Entre a mulher que a arte referencia e a mulher que ela inventa, há uma verdade desconsertante. Narcisa pinta o retrato com a nudez do rosto e a inocência crua dos olhos. De modo que a imagem captura o gesto raro do primeiro olhar.
Para esse jogo de referências, entre o desenho e o modelo, que já é também representação, arte e técnica, não haveria linguagem mais potente do que a da pop art. Com ela, a fotografia se reduz ao seu traço minimalista do preto e branco. Em Frida Khalo, em Clair Castilhos, em Hannah Arendt, em Marilena Chaui ou em KerexúYxapyry, é a força do espanto, a aura de uma modelo surpreendida pela explosão de luz, como nos lambe-lambes do advento da fotografia que tomou da arte o poder de desenhar o rosto, mas guardou da pintura primordial a magia de revelação. Aquilo que Walter Benjamin chamou de a “infância da fotografia” se traduz no “olhar selvagem” que a acompanha nessa transição de retorno: da fotografia à arte. Quando a sugestão de aura que o retrato produz nos assoma, já estamos mergulhando o pincel na paleta ao fundo para colorir essas presenças femininas no mundo. E podemos repetir Benjamin em êxtase: nunca antes a fotografia esteve tão à altura da arte e a arte tão à altura da fotografia.
Serviço
Exposição: Elas são cores
Material: Acrílico sobre tela
Artista: Narcisa Amboni
Quando: 29/10 a 30/11/2018 (2ª a 6ª)
Horário: 8:00 às 20:00
Quanto: Gratuito
Onde: Hall do DCEven – Piso Térreo – Centro de Cultura e Eventos da UFSC






Estão à mostra, no Hall do DCEven e no Espaço Expositivo do Centro de Cultura e Eventos – Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, de 05 a 28 de setembro de 2018, as exposições Cores do Rock e Música de Preto, do ilustrador, caricaturista, cartunista e designer gráfico Cláudio Duarte.
A exposição fotográfica Abandono 2, de Milton Muniz, dispõe as fotografias precedidas por textos explicativos (a trajetória do artista ao fazer tais imagens), tudo suspendido no teto do Espaço Expositivo do Centro de Cultura e Eventos, de forma que o apreciador viaje pelo mundo urbano de prédios em Florianópolis cuja estrutura aparenta uma cena de “abandono”. Por isso, ao reconhecer determinadas fachadas (pelo menos para aqueles que moram há muito tempo na cidade), passamos a olhar com os olhos do autor da fotografia. Às vezes damo-nos conta de repente, que já vimos aquela cena tantas vezes ao vivo que ela passou a ficar apagada na memória. Abandono 2 fotografa aquilo que “se tornou apagado”, e como diria Walter Benjamin, deixa a áurea da imagem daquele momento que já se passou, porque um momento nunca é igual ao outro. Causando angústia ou não, saudosismo ou não, ou apenas o prazer de apreciar a exposição, o certo é que Milton Muniz nos presenteia com essa mostra fotográfica para nos dizer: “Não esqueça de lembrar!”.
Sobre a exposição
Acontece de 04 a 29 de junho no Espaço Expositivo do Centro de Cultura e Eventos da UFSC a exposição EXPRIMÍVEL DO VAZIO – Fragmentos, de Juliana Hoffmann, com a curadoria de Juliana Crispe.
